Sentimento do Consumidor: O Pulso da Demanda

Sentimento do Consumidor: O Pulso da Demanda

Em 2025, compreender as nuances do comportamento de compra dos brasileiros tornou-se essencial para empresas e formuladores de políticas. O índice de confiança em recuperação significativa reflete não apenas números, mas histórias de famílias que ajustam prioridades em meio a incertezas.

Indicadores Principais de Confiança

Os dados do Índice FGV-IBRE (ICC) mostram que em novembro de 2025 o indicador atingiu 89,8 pontos, o maior nível desde dezembro de 2024. Em outubro, registrou 88,5 pontos, comparado a 87,5 em setembro. Esse movimento positivo revela uma retomada gradual após meses de volatilidade.

Enquanto isso, o ICC da Ipsos se mantém em patamar de cautela: em setembro de 2025, alcançou 51,7 pontos, ainda acima da neutralidade (50 pontos), mas com variações modestas. Em janeiro, havia fechado em 51,2 pontos, demonstrando uma oscilação sutil, porém perceptível.

A diferença entre os índices destaca perfis de consumidor que se sentem mais seguros diante das perspectivas econômicas e aqueles que ainda mantêm reserva antes de retomar gastos mais significativos.

Fatores que Definem o Bem-Estar

O estudo “Bain Consumer Pulse” apontou os principais determinantes do bem-estar dos brasileiros em 2025. São eles:

  • Preocupações financeiras: 49% indicam esta como a maior fonte de tensão.
  • Saúde física: 36% colocam cuidados com o corpo entre as prioridades.
  • Stress cotidiano: 27% relatam impactos psicológicos diretos.
  • Política e instabilidade: 25% acompanham notícias e reagem às mudanças.

Esses vetores revelam que, para além de preço ou produto, questões emocionais e de estabilidade social influenciam fortemente as decisões de consumo.

Percepção de Inflação e Aumento de Preços

Segundo levantamento, 90% dos brasileiros acreditam que os preços de produtos e serviços subiram nos últimos três meses, ante 81% em 2024. Os aumentos mais sentidos estão em alimentos (70%), conta de energia (47%) e cuidados pessoais (45%).

Esse cenário está alinhado à inflação acumulada acima do teto de 4,50%, com projeções de 5,08% para o ano. A percepção de elevação contínua de custos reforça a necessidade de estratégias de compra mais criteriosas.

Perfil do Consumidor Equilibrista

O conceito de consumidor equilibrista navegando cenário volátil resume o comportamento em 2025. Pesquisa com 7.500 respondentes na América Latina mostra um público que transita entre otimismo moderado e cautela.

sentimento emocional ambíguo, especialmente entre a geração Z e famílias de baixa renda, que oscilam entre felicidade por pequenas conquistas e ansiedade diante das incertezas macroeconômicas.

Por outro lado, 49% acreditam que o país estará melhor em cinco anos, o que indica um horizonte de esperança, mesmo que moderado, na perspectiva coletiva.

Estratégias de Compra e Adaptação

Em meio a esse contexto, 83% dos brasileiros adotaram medidas para reduzir gastos. As principais estratégias envolvem:

  • Corte em compras por categorias e volume, adquirindo menos ou postpondo aquisições.
  • Troca por marcas mais baratas, especialmente em itens de consumo diário.
  • Aumento de compras online e atacado, buscando preços e ofertas melhores.

Além disso, o consumidor exige maior compromisso ambiental e social das empresas. Aproximadamente 57% deixam de comprar marcas que contrariem seus valores, número que salta para 64% entre a geração Z.

As escolhas se baseiam em escolhas alimentares baseadas em valores pessoais e na demanda por transparência em processos produtivos.

O Mercado de Trabalho e Desafios

O pilar central da confiança permanece no mercado de trabalho. A taxa de desemprego recuou para 5,6% nos três meses até julho, o menor patamar já registrado. Este indicador sustenta um sentimento de maior segurança financeira em grande parte da população.

O subíndice de Investimentos da Ipsos saltou de 47,4 para 50,7 pontos em setembro, refletindo disposição crescente para colocar recursos em aplicações e comprar bens duráveis, mesmo que o volume geral dessas compras planejadas tenha caído 5,6 pontos para 82,6.

Perspectivas Futuras e Desigualdades

As expectativas econômicas locais subiram 2,3 pontos para 106,9, enquanto as finanças domésticas futuras avançaram 5,8 para 89,7 em outubro. Esses ganhos indicam otimismo moderado, mas sustentado.

Contudo, persistem disparidades de renda: a confiança das famílias de baixa renda saltou 5,1 pontos para 82,6, ao passo que a de alta renda avançou apenas 0,3 para 94,2. Esse contraste evidencia que, embora o pulso geral seja positivo, a recuperação é mais vigorosa entre os mais vulneráveis.

No ambiente de incerteza econômica e política, os consumidores brasileiros demonstram resiliência e adaptabilidade. Entender esse comportamento multifacetado é fundamental para organizações que queiram responder às necessidades reais do mercado, oferecendo soluções que aliem valor, sustentabilidade e segurança.

Matheus Moraes

Sobre o Autor: Matheus Moraes

Matheus Moraes contribui com o LucroMelhor desenvolvendo conteúdos voltados à disciplina financeira, avaliação de hábitos econômicos e melhoria contínua do controle financeiro.