O agronegócio brasileiro enfrenta um paradoxo profundo em 2025/2026, onde a abundância esconde a adversidade.
Enquanto colhemos safras recordes que sustentam o mundo, muitos produtores lutam com rentabilidade em queda, criando um cenário de desafios e oportunidades.
Este artigo explora como alimentar o Brasil exige mais do que produção; demanda gestão estratégica e resiliência diante de incertezas econômicas.
A Safra Recorde e Seus Dados
A Conab projeta uma safra total de grãos de 350,2 milhões de toneladas, um aumento de 0,8% em relação ao ciclo anterior.
Essa expansão é impulsionada principalmente pela soja e pelo milho, com áreas plantadas crescendo para 84 milhões de hectares.
No entanto, a produtividade média sofre uma leve queda, indicando que o volume não se traduz automaticamente em lucro.
- Soja: Atinge produção recorde, com destaque no Centro-Oeste, mas a margem operacional pode cair de 38% para 24% em 2026.
- Milho: Mostra recuperação plena após períodos difíceis, com ganhos significativos na safrinha do Centro-Oeste.
- Arroz: Produção de 12,76 milhões de toneladas, um aumento de 20,6%, impulsionado por condições climáticas favoráveis no Sul.
- Café: Registra 56,5 milhões de sacas, a terceira maior safra histórica, com o conilon batendo recordes.
Esses números impressionantes mascaram uma realidade financeira tensa, onde os custos superam os ganhos em muitas culturas.
Rentabilidade e Margens em Queda
As margens brutas do agronegócio estão em declínio acentuado, com a soja apresentando uma queda de 36% e o milho de 92% em comparação com a safra anterior.
Esse colapso na rentabilidade é um alerta para produtores que dependem de preços voláteis e custos crescentes.
Fatores como custos de insumos elevados e juros altos pressionam as finanças, tornando a gestão mais crítica do que nunca.
Essa tabela ilustra como a rentabilidade líquida por hectare tem caído consistentemente, refletindo um cenário econômico desafiador.
Para o milho, por exemplo, a margem bruta despencou de R$ 1.010 para apenas R$ 79 por hectare, resultando em prejuízos significativos quando consideradas despesas financeiras.
- Fertilizantes com aumentos de até 20%.
- Oscilações cambiais com o dólar acima de R$ 5,50.
- Preços dos grãos estáveis, incapazes de compensar os custos.
Inadimplência e Crédito Rural
A inadimplência no crédito rural atingiu 9,35% em agosto de 2025, o maior nível desde março de 2011.
Esse indicador reflete a dificuldade de acesso a financiamentos, com bancos endurecendo as exigências de garantias reais.
Recuperações judiciais aumentaram 61,8% em comparação com 2023, sendo vistas como uma última chance para muitos produtores.
O Plano Safra de julho a setembro de 2025 mostrou quedas de 44% em investimentos e 23% em custeios, afetando especialmente os médios produtores.
- Queda na oferta de crédito rural, conforme relatado pela Farsul.
- Endividamento elevado limita a capacidade de reinvestimento.
- Gestão financeira tornou-se uma ferramenta de sobrevivência.
Essa crise de crédito exige que os agricultores busquem alternativas, como comercialização estratégica e redução de custos operacionais.
Exportações e Mercado Global
O Brasil mantém seu protagonismo nas exportações, com itens como celulose e suco de laranja batendo recordes.
Produtos com maior valor agregado, como ovos e chocolates, crescem graças a esforços de diplomacia comercial.
No café, a receita aumentou 27,6% apesar de um volume menor, demonstrando a importância de focar em mercados premium.
No entanto, as margens pressionadas e a dependência climática exigem que os produtores adaptem suas estratégias de venda.
- Expansão para novos mercados através de acordos comerciais.
- Foco em sustentabilidade para atender demandas internacionais.
- Uso de tecnologia para melhorar a logística e reduzir perdas.
Inovação e Tendências para o Futuro
A inovação tecnológica surge como uma luz no fim do túnel, com biológicos, inteligência artificial e conectividade promovendo eficiência.
Essas ferramentas ajudam a reduzir custos, melhorar a produtividade e aumentar a sustentabilidade, elementos-chave para a rentabilidade.
Perspectivas para 2026 não apontam para um recorde de crescimento, mas sim para uma maturidade estratégica que testa a sobrevivência econômica.
Regiões como o Centro-Oeste, Sul e Bahia serão centrais nessa transformação, exigindo gestão adaptativa.
- Adoção de agricultura de precisão para otimizar insumos.
- Investimento em energias renováveis para cortar custos.
- Colaboração em cooperativas para ganhar escala e poder de negociação.
Essas práticas não só ajudam a enfrentar os desafios atuais, mas também preparam o setor para um futuro mais resiliente.
Perspectivas Práticas para 2026
Para navegar em 2026, os produtores devem priorizar a gestão eficiente, focando em controle de custos e diversificação de culturas.
A comercialização estratégica, com vendas antecipadas e uso de contratos futuros, pode proteger contra volatilidade de preços.
Além disso, escala e inovação são essenciais para compensar margens baixas e acessar crédito em condições favoráveis.
O agronegócio brasileiro, apesar dos obstáculos, continua a alimentar o mundo, e com as ferramentas certas, pode prosperar novamente.
Inspire-se com histórias de sucesso e lembre-se que cada desafio é uma oportunidade para crescer e inovar.
Referências
- https://www.cnnbrasil.com.br/economia/agro/com-inadimplencia-recorde-e-perda-de-rentabilidade-agro-vive-paradoxo/
- https://www.brasilagro.com.br/conteudo/com-inadimplencia-recorde-e-perda-de-rentabilidade-agro-vive-paradoxo.html
- https://agroadvance.com.br/blog-perspectivas-para-o-agro-2026/
- https://maisagro.syngenta.com.br/mercado-e-safra/agro-brasileiro-balanco-de-2025-e-perspectivas-para-2026/
- https://forbes.com.br/forbesagro/2026/01/2026-testa-a-sobrevivencia-economica-do-produtor-rural-alerta-roberto-rodrigues/
- https://www.novacana.com/noticias/ano-2026-margem-pressionada-juros-altos-agro-executivo-itau-bba-271125







