Mercado de Trabalho Informal: A Outra Face da Economia

Mercado de Trabalho Informal: A Outra Face da Economia

O mercado de trabalho brasileiro apresenta uma dualidade marcante, onde 38 a 40 milhões de brasileiros estão engajados em empregos informais. Isso representa uma parcela significativa de 37,7% a 38,7% da população ocupada total.

Apesar de o desemprego atingir mínimas históricas de 5,6%, a informalidade permanece elevada há uma década. Essa persistência reflete desafios estruturais que vão além dos números.

Em 2025, observa-se uma leve retração, com queda de 0,8 ponto percentual, mas a taxa ainda é a 2ª menor da série histórica desde 2015. Esse cenário evidencia a informalidade como uma válvula de escape em tempos de crise.

Evolução Histórica e Tendências Recentes

A informalidade no Brasil teve uma queda significativa entre 1990 e meados de 2010. No entanto, desde então, oscila em níveis altos, superiores aos de países desenvolvidos.

Em 2025, há aproximadamente 38,7 milhões de informais no 3º trimestre. O total vem caindo lentamente, de 39,5 milhões em novembro de 2024 para 38,8 milhões em novembro de 2025.

Paralelamente, o setor formal cresce, com 4,6 milhões de vagas com carteira assinada desde 2023. Em 2025, mais 1 milhão de empregos foram criados no setor privado, totalizando 39,4 milhões com carteira.

Um fenômeno notável é a explosão dos MEIs e PJs. Em uma década, a participação na força de trabalho saltou de 3,3% para quase 7%.

  • Há 26 milhões de trabalhadores por conta própria, um recorde histórico, com aumento de 2,9% no ano.
  • Entre 2022 e 2025, 5,5 milhões de CPFs migraram de CLT para CNPJ, criando uma "semi-informalidade".
  • Essa migração é motivada por encargos trabalhistas de até 70% sobre o salário.

Para 2026, projeções indicam desemprego abaixo de 6% e aumento de 1,9% na população empregada. Setores como Comércio e Indústria liderarão contratações sazonais.

Distribuição Geográfica e Demográfica

A informalidade não se distribui uniformemente pelo Brasil. Seis estados têm mais informais que formais, com taxas superiores a 50%.

Esses estados são Maranhão, Pará, Piauí, Amazonas, Bahia e Ceará. Todas as unidades do Norte e Nordeste estão acima da média nacional de 37,8%.

Em termos absolutos, São Paulo lidera com 7,1 milhões de informais, representando 29,3% de sua força de trabalho. Por outro lado, Santa Catarina tem a menor taxa, com 24,9%.

Demograficamente, a informalidade é maior entre pessoas de baixa escolaridade, homens e pessoas de cor parda. Há 6 milhões de empregados domésticos, sendo 3 em cada 4 sem carteira.

A tabela abaixo resume alguns dados regionais:

Essa distribuição está correlacionada com baixo rendimento médio e regiões menos desenvolvidas.

Composição do Trabalho Informal

O trabalho informal abrange diversas categorias, totalizando cerca de 38,8 milhões de pessoas em novembro de 2025.

  • Trabalhadores sem carteira no setor privado: 13,6 milhões, com queda de 3,4% no ano.
  • Conta própria: 26 milhões, um recorde histórico.
  • Empregados domésticos sem carteira: aproximadamente 4,5 milhões, de um total de 6 milhões.
  • Empregador sem CNPJ e trabalhador familiar auxiliar compõem o restante.

Dados de 2024 mostram que 8% dos MEIs eram empreendedores informais e 7% empregados sem carteira.

Causas e Fatores Estruturais

As causas da informalidade são multifacetadas e profundamente enraizadas na economia brasileira.

O alto custo da formalização é um fator chave. Encargos trabalhistas podem chegar a 70%, incentivando empresas a contratar sem registro.

  • Crises econômicas transformam a informalidade em uma válvula de escape.
  • A baixa produtividade dos informais, que são 4 vezes menos produtivos, limita o crescimento.
  • Programas sociais como Bolsa Família não impedem a classificação como ocupado informal.

A economia fechada do Brasil, com baixa participação no comércio global de 1%, reduz competição e eficiência.

Gastos governamentais elevados sustentam o mercado, mas de forma insustentável a longo prazo.

Impactos Econômicos e Sociais

Os impactos da informalidade permeiam todos os níveis da sociedade, criando um ciclo vicioso.

No nível individual, trabalhadores informais ficam sem proteção social e previsibilidade de renda.

  • Para empresas, há dificuldade de acesso a crédito e baixo investimento em capital humano.
  • Macroeconomicamente, a produtividade cresce apenas 0,3% ao ano nos últimos 5 anos.
  • A renda per capita aumenta pela ocupação, não por mudanças estruturais.

A sociedade como um todo perde, com cerca de 38% da força de trabalho fora do sistema formal. Isso compromete a eficiência geral e a arrecadação de impostos.

Especialistas destacam que todos são afetados, perpetuando a exclusão do mercado formal.

Políticas e Caminhos para Redução

A queda recente na informalidade é parcialmente atribuída à formalização via MEI/PJ e ao crescimento de carteiras assinadas.

Em 2025, houve um aumento de 2,6% nas contratações formais. No entanto, desafios persistem para 2026.

  • Políticas eficazes devem reduzir custos CLT e incentivar a qualificação profissional.
  • A abertura econômica e a competição externa são vistas como essenciais para elevar a produtividade.
  • O livro O Futuro do Brasil, de Fabio Giambiagi, ressalta as perdas coletivas.

O IBGE observa que o ramo informal "perde força" com o crescimento da ocupação total. Projeções para 2026 incluem mais empregos gerados pela reforma do IR.

Casos Específicos e Tendências Futuras

Casos como os empregados domésticos e trabalhadores por conta própria ilustram a complexidade da informalidade.

Para 2026, espera-se que o desemprego permaneça baixo e a ocupação aumente. Setores como Comércio e Indústria devem liderar contratações sazonais.

Políticas públicas precisam focar em preparar trabalhadores para o futuro, através de educação e treinamento.

A informalidade, embora sirva como válvula de escape, representa um obstáculo significativo ao desenvolvimento sustentável.

Reduzi-la requer esforços coordenados para melhorar a produtividade e integrar mais pessoas ao mercado formal.

Em conclusão, o mercado de trabalho informal no Brasil é uma face dupla da economia, oferecendo oportunidades imediatas, mas limitando o progresso a longo prazo.

A jornada para reduzir a informalidade é desafiadora, mas essencial para construir uma sociedade mais justa e próspera. Cada passo em direção à formalização representa um avanço coletivo.

Matheus Moraes

Sobre o Autor: Matheus Moraes

Matheus Moraes contribui com o LucroMelhor desenvolvendo conteúdos voltados à disciplina financeira, avaliação de hábitos econômicos e melhoria contínua do controle financeiro.