A pandemia de COVID-19 abalou profundamente o mercado de crédito no Brasil, com empréstimos emergenciais de R$13,4 bilhões aprovados pelo Senado em 2020.
Esses recursos, somados a créditos extraordinários de R$600 bilhões, foram cruciais para sustentar famílias e empresas durante a crise.
Hoje, a transição pós-pandemia revela uma resiliência notável apesar dos juros altos, oferecendo lições valiosas para o futuro.
Este artigo explora como podemos reconstruir a confiança financeira em um cenário desafiador, com dados atualizados e insights práticos.
Introdução: O Impacto da Pandemia no Crédito
A crise sanitária forçou medidas drásticas, como empréstimos internacionais para grupos vulneráveis.
Isso gerou preocupações com o endividamento externo, mas também destacou a importância do apoio governamental.
Agora, o foco mudou para a moderação controlada e a sustentabilidade do crédito.
Com a Selic em patamares elevados, a confiança dos consumidores e investidores tornou-se um pilar essencial.
Vamos analisar a evolução recente e projetar caminhos para fortalecer esse equilíbrio.
Evolução Recente do Mercado de Crédito (2025)
Em novembro de 2025, o estoque total de empréstimos atingiu R$7,0 trilhões.
Isso representa um crescimento mensal de 0,9%, mantendo a trajetória positiva observada nos meses anteriores.
O crédito corporativo subiu para R$2,6 trilhões, enquanto os empréstimos às famílias expandiram para R$4,4 trilhões.
Esses números refletem uma recuperação gradual, com o setor familiar mostrando maior dinamismo.
A tabela abaixo resume os dados mensais chave para 2025:
O crescimento anual desacelerou para 9,5% em novembro, abaixo dos 10,2% de outubro.
Isso indica uma desaceleração gradual, mas ainda dentro de um quadro de expansão.
Para famílias, a taxa anual ficou em 11,1%, enquanto para corporações foi de 7,0%.
Essa diferença ressalta a diversidade no comportamento do mercado.
Projeções para 2025 e 2026
As projeções apontam para uma desaceleração contínua, mas com perspectivas otimistas.
Para 2025, a Febraban estima um crescimento de 9,2% na carteira de crédito.
A XP projeta 9,5%, e o Banco Central prevê 10,7% nominal, com ajustes para inflação.
Em 2026, as expectativas são de uma expansão mais moderada de 8,0% a 8,5%.
Isso reflete um cenário de "pouso suave", onde a economia se ajusta sem choques bruscos.
Os fatores-chave incluem:
- Cortes na taxa Selic a partir de março de 2026.
- Manutenção de programas de apoio a MPMEs.
- Fortalecimento do mercado de trabalho.
Essas projeções são baseadas em dados robustos e análises de especialistas.
Fatores de Resiliência que Sustentam o Crédito
Apesar dos juros altos, o crédito tem mostrado resiliência devido a vários fatores.
Programas governamentais para pequenas e médias empresas têm sido fundamentais.
Bancos públicos ampliaram o acesso ao crédito direcionado, impulsionando o setor corporativo.
Além disso, o mercado de trabalho aquecido tem sustentado a renda familiar.
Isso permitiu uma recuperação no crédito livre para pessoas físicas, exceto no cartão.
Outros elementos importantes incluem:
- Estímulos fiscais e públicos continuados.
- Transparência nas políticas monetárias.
- Inovação em produtos financeiros digitais.
Esses fatores combinados criam um ambiente favorável para a confiança.
Riscos e Desafios para a Confiança Financeira
No entanto, existem riscos significativos que podem minar a confiança.
A inadimplência é projetada para subir de 5,1% em 2025 para 5,2% em 2026.
Isso reflete o impacto dos juros altos e da crise de crédito em setores vulneráveis.
Previsões indicam um recorde de falências em 2026, afetando a estabilidade econômica.
Além disso, os estímulos fiscais constantes podem impedir a inflação de atingir a meta de 3,5%.
Os principais desafios incluem:
- Alta da Selic e sua política contracionista.
- Necessidade de equilíbrio nas contas públicas.
- Crescimento do endividamento externo.
Para mitigar esses riscos, é essencial adotar medidas pró-ativas.
Perspectivas de Reconstrução e Práticas para o Futuro
A reconstrução da confiança financeira requer ações coordenadas e práticas.
O conceito de "moderação controlada" deve guiar as políticas públicas e privadas.
Com o PIB projetado a 1,8% em 2026, há espaço para crescimento sustentável.
Cortes graduais na Selic podem aliviar a pressão sobre os tomadores de crédito.
Para indivíduos, práticas recomendadas incluem:
- Monitorar o orçamento familiar regularmente.
- Diversificar fontes de renda e investimentos.
- Buscar orientação financeira para evitar endividamento excessivo.
Para empresas, é crucial:
- Aproveitar linhas de crédito direcionado.
- Investir em inovação e eficiência operacional.
- Manter transparência nas relações com credores.
Essas práticas ajudam a fortalecer a confiança mútua no sistema.
Conclusão: A Caminho de uma Nova Confiança
O mercado de crédito pós-pandemia no Brasil está em uma encruzilhada crítica.
Os dados mostram uma resiliência inspiradora, mas os riscos exigem atenção contínua.
A reconstrução da confiança financeira depende de um equilíbrio cuidadoso entre crescimento e prudência.
Com projeções de desaceleração gradual e fatores de resiliência ativos, há motivos para otimismo.
No entanto, é vital manter o foco na transparência, na educação financeira e nas políticas sustentáveis.
Ao adotar as práticas discutidas, indivíduos e empresas podem navegar esse cenário com mais segurança.
Juntos, podemos transformar os desafios em oportunidades para um futuro financeiro mais sólido e confiante.
Referências
- https://pt.tradingeconomics.com/brazil/loan-growth
- https://www.cnnbrasil.com.br/economia/macroeconomia/bancos-elevam-expectativa-de-crescimento-do-credito-para-82-em-2026/
- https://timesbrasil.com.br/brasil/economia-brasileira/febraban-bancos-preveem-pouso-suave-do-credito-em-2026/
- https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2020/12/15/senado-aprova-r-13-bi-em-emprestimos-internacionais-contra-a-pandemia
- https://conteudos.xpi.com.br/morning-call/dados-do-mercado-de-credito-brasileiro-em-foco/
- https://www.youtube.com/watch?v=c9QwdhbW4YI
- https://www.gazetadopovo.com.br/economia/crise-a-vista-brasil-pode-ter-recorde-de-falencias-de-empresas-em-2026/
- https://www.bcb.gov.br/detalhenoticia/752/noticia







