Custos de Transporte: O Peso da Logística nos Preços

Custos de Transporte: O Peso da Logística nos Preços

No coração da economia brasileira, a logística desempenha um papel crucial, mas seus custos elevados impactam diretamente os preços finais que os consumidores pagam.

Em 2024, os gastos com transporte superaram R$ 940 bilhões, marcando um aumento significativo e preocupante.

Essa alta reflete uma dependência excessiva das rodovias, que limita a eficiência e encarece produtos essenciais.

O Crescimento Inevitável dos Custos

Os números mostram uma trajetória ascendente nos gastos com transporte.

Em 2023, os custos atingiram R$ 883 bilhões, com um crescimento de 4,2%.

No ano seguinte, em 2024, esse valor subiu para R$ 940 bilhões, representando um aumento de quase 7%.

A demanda por serviços de transporte cresceu aproximadamente 3,6% em 2024, pressionando ainda mais os custos.

O PIB do Brasil apresentou um crescimento acima de 3,5% em 2024, mas o setor logístico enfrenta desafios estruturais.

  • Em 2023, os gastos totais foram de R$ 883 bilhões.
  • Em 2024, os gastos aumentaram para R$ 940 bilhões.
  • Isso reflete uma alta de quase 7% em um ano.

Esses dados destacam a necessidade urgente de otimização no setor.

A Matriz Logística Brasileira: Uma Dependência Rodoviária

O transporte rodoviário domina a matriz logística do Brasil, representando 62,2% do transporte de mercadorias.

No setor de alimentos e bebidas, essa dependência chega a 91,4% do volume transportado.

Para produtos manufaturados, 85,2% das operações dependem das estradas, com projeção de leve redução para 84,7% até 2035.

Em comparação internacional, o Brasil se destaca negativamente.

Essa concentração rodoviária aumenta os custos operacionais e a vulnerabilidade a congestionamentos.

Impacto Direto nos Preços do Consumidor

O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) do transporte reflete esse peso, atingindo 6.941,17 pontos em novembro de 2025.

Isso representa um aumento em relação aos 6.925,93 pontos de outubro de 2025.

O máximo histórico foi em março de 2025, com 6.945,55 pontos, e as projeções indicam crescimento contínuo.

  • Projeção para 2026: aproximadamente 7.002 pontos.
  • Projeção para 2027: 7.023 pontos.

O PIB do setor de transporte também atingiu um recorde de 9.465,09 milhões de BRL no terceiro trimestre de 2025.

Esse valor é superior aos 8.927,95 milhões de BRL do segundo trimestre, mostrando um setor em expansão, mas com custos elevados.

Desafios Específicos do Transporte Rodoviário

As variações de fretes em 2025 exemplificam os problemas.

No trecho Sorriso-Miritituba, as tarifas ficaram em média 12% acima dos níveis de 2024.

Na rota Rondonópolis-Santos, o aumento foi de aproximadamente 6%.

Isso foi impulsionado pela produção recorde de soja e milho no ciclo 2024-25.

A nova regulamentação da ANTT, com sistema eletrônico de fiscalização, aumentou os custos logísticos.

No entanto, enfrenta incerteza jurídica devido a decisões judiciais que suspenderam multas em algumas regiões.

  • Aumento de fretes em rotas-chave.
  • Regulamentação com impactos mistos.
  • Incertezas que afetam o planejamento.

Esses fatores contribuem para uma logística mais cara e menos previsível.

Oportunidades de Redução de Custos

O Brasil tem um potencial significativo para economizar até 224,76 bilhões de reais anuais com a modernização da matriz logística.

Isso requer ampliar o uso do ferrocarril e da cabotagem para aliviar os gargalos no transporte de cargas.

Essa projeção, do Observatório do Custo Brasil, em parceria com o MDIC, oferece um caminho claro para melhorias.

Investir em infraestrutura multimodal pode reduzir custos e aumentar a competitividade.

  • Economia potencial de R$ 224,76 bilhões anuais.
  • Expansão do uso de ferrovias.
  • Incentivo à cabotagem e modais alternativos.

Essas ações podem transformar a logística em um vetor de crescimento para a economia.

A Crise no Transporte Público e a Mobilidade Urbana

Nos últimos dez anos, houve uma redução de aproximadamente 45% no número de passageiros transportados mensalmente no transporte público.

Em 2013, a média era de 390 milhões de passageiros por mês, caindo para 214 milhões em 2023.

O quilometragem produzido também diminuiu 40%, de 230 milhões para 138 milhões de quilômetros mensais.

Os custos diários variam por modalidade, com o ônibus sendo o mais acessível a R$ 9,75 em média.

  • Táxi: R$ 46,00.
  • Carro próprio: R$ 30,00.
  • Aplicativos: R$ 27,00.
  • Mototáxi: R$ 13,00.
  • Moto própria: R$ 11,00.
  • Ônibus: R$ 9,75.

As razões para a migração ao transporte individual são diversas.

  • Falta de comodidade (28,7%).
  • Falta de flexibilidade (20,7%).
  • Longos tempos de viagem (20,4%).
  • Mudança de local de trabalho (17,2%).
  • Altos preços de tarifas (11,8%).
  • Insegurança (11,4%).
  • Baixa confiabilidade (10,2%).

As causas estruturais incluem falta de investimentos em infraestrutura e renovação de frota.

Isso resulta em congestionamentos urbanos e perda de rendimento da frota, afetando o equilíbrio econômico dos contratos.

Caminhos para um Futuro Mais Eficiente

Para reduzir os custos de transporte, é essencial adotar estratégias práticas e inspiradoras.

Investir em ferrovias e cabotagem pode diversificar a matriz logística e diminuir a dependência rodoviária.

Melhorar a infraestrutura urbana, como corredores de ônibus e ciclovias, pode revitalizar o transporte público.

Empresas podem otimizar rotas e usar tecnologia para reduzir fretes e tempos de entrega.

Consumidores podem apoiar políticas que priorizem a modernização logística e a sustentabilidade.

Essas ações coletivas podem transformar desafios em oportunidades, promovendo uma economia mais resiliente.

Ao enfrentar esses custos, todos contribuem para preços mais baixos e uma logística mais eficiente.

Com esforço e inovação, o Brasil pode aliviar o peso da logística e construir um futuro mais próspero.

Fabio Henrique

Sobre o Autor: Fabio Henrique

Fabio Henrique é colaborador do LucroMelhor, criando conteúdos sobre planejamento financeiro estratégico, análise de resultados e otimização do uso do dinheiro no dia a dia.