Custo da Dívida: Quanto Paga o Governo e as Empresas

Custo da Dívida: Quanto Paga o Governo e as Empresas

Em um cenário de crescente endividamento público, entender o custo da dívida se tornou essencial para governos, empresas e cidadãos. A trajetória dos gastos com juros revela não apenas desafios fiscais mas riscos estruturais de longo prazo que impactam a economia e a vida diária da população.

É fundamental adotar estratégias colaborativas, propor ações de contenção e inovação, e trabalhar em conjunto para restabelecer a confiança dos investidores e garantir um futuro sustentável para o Brasil.

Contexto Atual da Dívida Pública Brasileira

O estoque da dívida pública federal ultrapassou R$ 9,9 trilhões em outubro de 2025, equivalente a 78,6% do PIB. Segundo a metodologia do FMI, esse valor chega a 90,5% do PIB, um patamar elevado historicamente. Durante o terceiro mandato do presidente Lula, a relação dívida/PIB subiu de 71,7% para o nível atual, e o Tesouro projeta que encerrará o mandato em 82,5%.

Esse aumento reflete principalmente a apropriação de juros e déficits fiscais recorrentes, que pressionam as contas públicas e reduzem o espaço orçamentário disponível para investimentos em saúde, educação e infraestrutura.

Despesas com Juros e Pressões Fiscais

No período de 12 meses até outubro de 2025, o governo desembolsou R$ 987,2 bilhões em juros da dívida pública, o maior valor nominal da série histórica. Apenas em outubro, o gasto alcançou R$ 113,9 bilhões, ou 7,88% do PIB, superando em 0,40 ponto percentual o mesmo período de 2024.

Esse volume de recursos consome uma parcela significativa da arrecadação, limitando a capacidade de investimento e fomentando o conhecido efeito bola de neve, quando o crescimento dos juros eleva cada vez mais o montante da dívida.

  • Elevação da taxa Selic e indexação da dívida.
  • Déficits fiscais persistentes com forte base de gastos.
  • Volatilidade cambial e prêmios de risco elevados.

Impactos na Economia

A necessidade de refinanciar grande parte da dívida em um ambiente de juros elevados pressiona ainda mais as contas públicas. Esse cenário reduz o apetite por investimentos privados, pois o Estado compete por recursos no mercado, configurando o efeito crowding out.

As empresas sofrem com o aumento do custo do crédito e a volatilidade cambial, enquanto a população sente na pele a inflação decorrente do repasse de juros e impostos. A confiança do investidor, ao perceber déficits contínuos, diminui, elevando prêmios de risco e encarecendo ainda mais o financiamento.

Perspectivas de Sustentabilidade

Para que a trajetória da dívida se torne sustentável, é preciso que a taxa de crescimento real do PIB supere a taxa de juros da dívida. Economistas como Carmen Reinhart e Kenneth Rogoff alertam que, caso essa relação não se inverta, a espiral de endividamento pode se agravar rapidamente.

A Instituição Fiscal Independente (IFI) calculou que o Brasil precisaria alcançar um superávit primário de ao menos 2,1% do PIB (aproximadamente R$ 265 bilhões) para estabilizar a relação dívida/PIB. No entanto, metas reduzidas de superávit em 2025 e 2026 impuseram novos desafios ao controle fiscal.

Caminhos para a Redução do Custo da Dívida

É possível conjugar disciplina fiscal, reformas estruturais e estímulo ao crescimento econômico para aliviar o peso dos juros. Entre as estratégias, destaca-se a necessidade de estabelecer regras orçamentárias rígidas, aprimorar a gestão da dívida e promover projetos de investimento de alto retorno.

Recomendações para o Governo

  • Buscar superávit primário sustentável com controle rigoroso de despesas.
  • Implementar reformas que fortaleçam o crescimento de longo prazo, como previdenciária e tributária.
  • Ampliar a transparência e o monitoramento dos gastos públicos.

Sugestões para Empresas e Cidadãos

  • Planejar-se financeiramente para reduzir exposições a altas taxas de juros.
  • Investir em inovação e produtividade para aumentar a competitividade.
  • Exigir responsabilidade fiscal de representantes e apoiar iniciativas de controle.

Considerações Finais

Enfrentar o alto custo da dívida exige esforço conjunto de Estado, setor privado e sociedade civil. Com decisões estruturais e visão de longo prazo, é possível restaurar a confiança dos mercados, criar espaço para investimentos sociais e garantir o desenvolvimento sustentável do país.

O momento exige determinação e diálogo constante. Ao adotar práticas responsáveis e inovadoras, o Brasil pode superar esse desafio fiscal e construir uma trajetória de crescimento inclusiva e duradoura.

Referências

Giovanni Medeiros

Sobre o Autor: Giovanni Medeiros

Giovanni Medeiros escreve para o LucroMelhor com foco em educação financeira aplicada, organização financeira e decisões conscientes voltadas à melhoria dos resultados financeiros.