O debate sobre o empréstimo no Brasil vai além de números e contratos, mergulhando em questões éticas que afetam milhões de vidas.
Ao enfrentar crises econômicas e sociais, muitas famílias recorrem ao crédito como solução imediata, mas sem planejamento, isso pode agravar vulnerabilidades.
Este artigo explora como escolhas informadas e alternativas éticas podem reduzir o endividamento e fomentar um impacto social positivo, oferecendo um caminho para um futuro mais justo.
O Cenário do Endividamento Familiar
A pandemia de Covid-19 trouxe à tona uma realidade preocupante: o endividamento das famílias brasileiras saltou para 25,39% em 2020.
Em 2021, esse número subiu para 29,43%, refletindo os efeitos duradouros da crise.
Fatores como a queda de 3,9% no PIB e o desemprego em 13,87% intensificaram essa tendência.
O empréstimo consignado, com juros de 1,24% a 1,83% ao mês, tornou-se uma opção popular, mas seu uso excessivo pode comprometer rendas fixas.
Principais motivações para buscar empréstimos incluem:
- Pagar dívidas antigas (21% dos casos).
- Cobrir contas domésticas (20%).
- Lidar com despesas inesperadas (17%).
Esses dados mostram um ciclo vicioso onde o crédito, em vez de aliviar, pode ampliar problemas financeiros.
Desigualdades e Vulnerabilidades no Acesso ao Crédito
As mulheres representam 58% dos contratos de empréstimo consignado, evidenciando uma desigualdade de gênero persistente.
Com um valor médio de R$ 4.211, contra R$ 5.322 para homens, isso reflete disparidades salariais e menor alfabetização financeira.
Empreendedoras enfrentam juros superiores a 40% ao ano, agravando sua vulnerabilidade econômica.
Outros grupos em situação de risco incluem:
- Trabalhadores com baixa renda: mais de 60% dos empréstimos do Crédito Trabalhador são para quem ganha até 4 salários mínimos.
- Aposentados: apenas 12% dos contratos de consignado são para idosos, mas muitos dependem dessa modalidade.
- Famílias abaixo da linha da pobreza: estima-se que 2 milhões caíram na pobreza após contrair dívidas.
Essas desigualdades exigem uma abordagem ética que priorize a inclusão e a proteção.
As Altas Taxas de Juros e Seus Efeitos
O Brasil lidera o ranking mundial com juros reais mais altos, como 7,66% ao mês em empréstimos pessoais.
Essas taxas elevadas tornam o crédito caro e inacessível para muitos, perpetuando ciclos de endividamento.
Para contextualizar, aqui está uma tabela com dados-chave sobre juros e volumes de crédito:
Esses números destacam a urgência de buscar opções com custos menores, como o crédito cooperativo.
A baixa pesquisa por alternativas, com 56% das pessoas avaliando no máximo duas instituições, agrava o problema.
Alternativas Éticas: Cooperativismo e Microcrédito
O cooperativismo de crédito movimenta R$ 2,56 para cada R$ 1 concedido, demonstrando eficiência social e econômica.
Essas iniciativas geram impactos positivos, como a criação de 22,8 empregos por R$ 1 milhão investido.
O microcrédito, por sua vez, amplia o acesso em áreas pobres, usando aval solidário em vez de garantias tradicionais.
Benefícios dessas alternativas incluem:
- Redução da pobreza: 20,5 famílias a menos no Cadastro Único por cada 1.000 beneficiadas.
- Aumento de matrículas no ensino superior: 3,2 a mais por 1.000.
- Geração de emprego: contribui para 1,2 milhões de empregos por ano.
Essas opções mostram que o crédito pode ser uma ferramenta para o desenvolvimento, não apenas para o endividamento.
Impacto Social e Econômico do Crédito Responsável
Quando usado de forma ética, o empréstimo pode impulsionar o PIB e o consumo no curto prazo.
No entanto, escolhas irresponsáveis levam a consequências negativas, como o aumento da inadimplência, que afeta 10,3 milhões de brasileiros.
Para promover um impacto positivo, é essencial adotar medidas como:
- Evitar usar empréstimos para pagar dívidas antigas.
- Pesquisar múltiplas opções de crédito antes de decidir.
- Priorizar modalidades com juros baixos, como o consignado público.
- Apoiar programas sociais, como o Acredita, que já aprovou R$ 1,2 bilhão.
- Fomentar a educação financeira para todos os grupos.
Essas ações podem transformar o crédito em uma alavanca para a equidade e sustentabilidade.
Conclusão: Caminhos para uma Cultura de Crédito Ético
O endividamento no Brasil é um desafio complexo, mas não insuperável.
Ao fazer escolhas informadas e apoiar alternativas éticas, cada indivíduo pode contribuir para um futuro mais justo.
Lembre-se de que o crédito não deve ser um fardo, mas sim uma ferramenta para o bem-estar coletivo.
Com práticas responsáveis, é possível reduzir desigualdades e construir uma sociedade mais resiliente.
Referências
- https://revistas.pucsp.br/index.php/redeca/66978
- https://cooperativismodecredito.coop.br/2024/11/impactos-do-cooperativismo-de-credito-no-brasil/
- https://www.cnnbrasil.com.br/economia/financas/21-dos-brasileiros-usam-emprestimo-para-pagar-dividas-aponta-estudo/
- https://www.scielo.br/j/rap/a/qPCdmRbPyjWm5Kx4TYztXhL/
- https://www.migalhas.com.br/depeso/396549/custo-do-emprestimo-no-brasil-e-um-dos-mais-elevados-do-mundo
- https://agenciabrasil.ebc.com.br/radioagencia-nacional/economia/audio/2025-05/dados-do-bc-apontam-para-aumento-no-valor-de-concessao-de-emprestimos
- https://agenciasebrae.com.br/dados/mulheres-empreendedoras-pagam-taxa-de-juros-maior-do-que-homens-na-tomada-de-credito/
- https://www.neurotech.com.br/mercado-de-credito-no-brasil-um-panorama-sobre-o-tema/
- https://www.gov.br/fazenda/pt-br/assuntos/noticias/2025/junho/migracao-de-emprestimos-mais-caros-para-o-credito-do-trabalhador-e-responsavel-por-diferenca-com-taxas-historicas
- https://www.gov.br/trabalho-e-emprego/pt-br/noticias-e-conteudo/2025/junho/credito-do-trabalhador-mais-de-60-dos-emprestimos-foram-contratados-por-quem-ganha-ate-4-salarios-minimos
- https://www.bcb.gov.br/estatisticas/estatisticasmonetariascredito
- https://portal.fgv.br/noticias/maioria-detentores-emprestimo-consignado-nao-e-idoso-revela-pesquisa







